sexta-feira, 6 de julho de 2018

França seca o Rio da Prata e avança às semifinais da Copa

Franceses aguardam vencedor de Brasil x Bélgica para saber quem enfrentam no dia 10 (Divulgação FIFA)

      Com um futebol consistente na defesa e no meio-campo, contando com a ineficiência uruguaia e com a sorte, A França carimbou o passaporte para a semifinal da Copa do Mundo 2018 no início da tarde deste dia 6. A equipe comandada por Didier Deschamps (que carrega o incrível currículo de 17 jogos em copas como jogador e treinador e apenas uma derrota) bateu o Uruguai por 2x0. Foi a segunda vitória seguida dos europeus sobre os países banhados pelo Rio da Prata - primeiro a Argentina e agora o Uruguai. Com o resultado, resta aos franceses esperar entre brasileiros e belgas para saber quem vão enfrentar no dia 10, às 15h. 
      O jogo iniciou pegado, com muitas faltas - algumas ríspidas. O alvo eram os tornozelos adversários - que o digam Suárez (de atuação apagada), Hernandez (um dos melhores da França) e Mbappé. Poucas chances de gol aconteceram na primeira etapa. Os franceses confiavam nas arrancadas de Mbappé, enquanto o Uruguai pecava no maior problema apresentado durante a partida: a falta de ligação no meio-campo. Vários chutões sobrevoaram o meio de campo até chegar na área francesa, mas Umtiti e Varane afastaram todas as bolas.
      As chances escassas começaram a ocorrer aos 15 minutos, quando Giroud e Mbappé tabelaram de cabeça dentro da área uruguaia e o atacante do Paris Saint-Germain concluiu mal. O jogo era disputado, mas sem oportunidades - tanto que a maior vibração da torcida ocorrera aos 31 minutos, quando Kanté acertou uma bolada no árbitro argentino Néstor Pitana. O primeiro chute uruguaio ao gol veio aos 35 minutos,com Vecino, para boa defesa de Lloris.
      Quando tudo se encaminhava para um fim de primeiro tempo arrastado, surge o gol francês. Griezmann cobra falta da direita. Varane se antecipa à zaga uruguaia e sozinho na entrada da pequena área desvia para o gol: 1x0. Dois minutos depois o Uruguai teve a melhor oportunidade na partida. Em cobrança de falta de Torreira, Cáceres desvia de cabeça e Lloris faz um milagre. A bola sobra para Godín, que isola. 
      No segundo tempo, sem muitas opções, os uruguaios foram para cima. Os franceses se organizaram para tentar definir em um contra-ataque. Aos 16 minutos, a ducha fria sobre o Uruguai: Griezmann recebe de Pogba próximo da área e arrisca o chute. A bola vai em cima de Muslera, mas pega efeito e escorrega entre as mãos do arqueiro uruguaio, entrando mansamente no gol. Era o 2x0 que definiria o confronto.
      Mesmo desorganizado e sentindo muito a falta de Cavani, o Uruguai não se afobou e seguiu em cima. Aos 18 minutos, Cristian Rodriguéz pega rebote de escanteio e chuta muito perto da trave de Lloris. A França era perigosa no contra-ataque. Aos 24, Tolisso recebe sozinho na entrada da área e tenta por cobertura, mas a bola sai próxima da meta de Muslera. Uma firula de Mbappé rendeu cartão ao francês e ao uruguaio Cristian Rodriguez. Confusão e bate-boca, mas ninguém foi expulso.
      A partir dos 35 minutos do segundo tempo era perceptível o desgaste dos uruguaios. O cansaço tomou conta e por mais disposição que tivesse, a Celeste já não chegava ao ataque e assistia ao toque de bola francês. Aos 43 minutos as câmeras de TV flagram o zagueiro Gimenez aos prantos, percebendo que a classificação não viria mais. O que se tornou realidade aos 50 minutos, quando Néstor Pitana encerrou a partida, para comemoração francesa e lágrimas uruguaias. 


URUGUAI: Fernando Muslera; Martin Cáceres, José Giménez, Diego Godín e Diego Laxalt; Lucas Torreira, Matías Vecino, Nahitan Nández (Jonathan Urretaviscaya), Rodrigo Bentancur (Cristian Rodríguez) e Cristhian Stuani (Maximiliano Gomez); Luis Suárez. Técnico: Óscar Tabárez.

FRANÇA: Hugo Lloris; Benjamin Pavard, Raphael Varane, Samuel Umtiti e Lucas Hernández; N'Golo Kanté, Paul Pogba e Corentin Tolisso (Steven N'Zonzi); Antoine Griezmann (Nabil Fekir), Kylian Mbappé (Ousmane Dembélé) e Olivier Giroud. Técnico: Didier Deschamps. 

Árbitro: Néstor Pitana, tendo como assistentes Hernan Maidana e Juan Pablo Belatti (todos da Argentina).

terça-feira, 3 de julho de 2018

Cidadão Kane comanda ressurreição inglesa

Kane é o goleador da Copa e comemora classificação inglesa diante da Colômbia (Divulgação FIFA)

      Se Inglaterra e Colômbia não fizeram uma grande partida, ao menos emoção não faltou. Os ingleses impuseram um ritmo de jogo grande parte do tempo, fizeram um gol, mas caíram no erro estratégico de recuar demais. Nos 10 minutos finais, os colombianos foram para cima e graças à Mina levaram o jogo para a prorrogação aos 48 minutos do segundo tempo, em um cabeceio sensacional. O jogo continuou lá e cá no tempo extra. No fim, comandado por Kane (que foi visto gritando para incentivar os companheiros tanto na prorrogação quanto nos pênaltis), o "English Team" contou com sorte e Pickford para garantir vaga nas quartas-de-final e enfrentar a Suécia no próximo sábado em busca da passagem para a semifinal da Copa. 
      Aliás, o jogo lembrou uma passagem do filme "007 Skyfall", quando o personagem James Bond (interpretado pelo ator Daniel Craig) é perguntado se não tem algum hobby. E responde na lata: "Ressurection" (ressurreição). E foi isso que a Inglaterra precisou: ressurgir em campo depois de tomar um gol no fim do tempo normal. 
      No primeiro tempo, tecnicamente, o jogo foi muito ruim. Além de poucas oportunidades de gol, a Colômbia preferiu ficar fechada, temendo o poderio do ataque inglês comandando por Kane e servido por Lingard, Young e Dele Ali - este, vindo de lesão, não atuava bem. Os colombianos tinham dificuldade na marcação pelo lado esquerdo da defesa e a subida de Trippier foi uma das armas da Inglaterra durante toda a etapa inicial. Young, cobrando falta aos cinco minutos, e Kane, após cruzamento de Trippier aos 15, proporcionaram as chances inglesas. Já a Colômbia teve apenas uma boa conclusão de Quintero, aos 46, para boa defesa de Pickford. 
      O destaque da etapa inicial foi uma das cenas mais inusitadas da Copa até agora: Mina pulou sobre Young e errou o tempo de bola. O inglês tentou se desvencilhar, mas o zagueiro colombiano montou no atacante inglês, propiciando uma cena bizarra. 
      Na segunda etapa o panorama mudou logo a partir dos oito minutos. Em cobrança de escanteio, Carlos Sanchéz agarrou Kane por cima, por baixo e pelo meio. Detalhe que ele fez isso na frente do árbitro Mark Geiger, que não titubeou e assinalou o pênalti, para reclamação dos jogadores colombianos. Kane bateu e marcou o sexto gol no mundial (é o artilheiro).
      O jogo ficou truncado, com disputas ríspidas e cartões amarelos (foram quatro para colombianos e um para a Inglaterra) e até pequenas confusões. Aos 17, após cruzamento de Trippier, Dele Ali cabeceia por cima, perdendo ótima chance. O jogo aéreo inglês era forte, tanto que aos 27 é Maguire que perde oportunidade de cabeça. 
      Precisando arriscar, os colombianos foram para cima. E fizeram 10 minutos alucinantes, empurrando a Inglaterra para o campo de defesa. Aos 36, Bacca recebe passe errado de Walker, avança e toca para Cuadrado, que bate mal e manda na arquibancada. Aos 41 é Falcão Garcia, que tabela com Cuadrado e bate forte para defesa de Pickford. O goleiro inglês faz milagre em um chutaço de Uribe, aos 47 minutos. O meia colombiano manda a bola na gaveta, mas o goleiro voa para defender. Só que na cobrança de escanteio de Quintero, Mina sobe no quinto andar, dá um cabeceio tão forte que a bola passa por Pickford e Trippier - e mesmo assim entra.
      Na prorrogação, a pressão no primeiro tempo foi colombiana. A equipe de José Pekermann atacava com intensidade, enquanto os ingleses pareciam atônitos. A melhor chance foi aos 13 minutos, quando Muriel cruzou da direita e Falcão Garcia se antecipou à zaga, mas o cabeceio saiu perto da trave.
      No segundo tempo a Inglaterra pôs os nervos no lugar e passou a pressionar. Comandados por Kane, os ingleses passaram a pressionar. A melhor chance foi com Rose, aos 8 minutos, quando em jogada pela direita chutou forte, cruzado, e a bola passou rente à trave de Ospina. 
      Não teve jeito: o terceiro 1x1 da Copa nas oitavas-de-final foi para os pênaltis. Falcão Garcia, Cuadrado e Muriel fizeram para os colombianos. Kane, Rashford, Trippier e Dier converteram para os ingleses. Ospina pegou a cobrança de Henderson. Mas Uribe acertou o travessão e Pickford defendeu a cobrança de Bacca, garantindo o triunfo inglês. Agora sobraram no mundial seis seleções europeias (além da Inglaterra estão classificadas Suécia, França, Bélgica, Croácia e Rússia) e duas sul-americanas (Brasil e Uruguai)

COLÔMBIA: Ospina; Arias (Zapata), Mina, Davinson Sanchez e Mojica; Barrios, Carlos Sanchez (Uribe) e Lerma (Bacca); Cuadrado, Quintero (Muriel) e Falcao Garcia. Técnico: José Pékerman. 

INGLATERRA: Pickford; Walker (Rashford), Stones e Maguire; Trippier, Dele Alli (Dier), Henderson, Lingard e Young (Rose); Sterling (Vardy) e Kane. Técnico: Gareth Southgate.

Árbitro: Mark Geiger (Estados Unidos), auxiliado por Joe Fletcher (Canadá) e Frank Anderson (Estados Unidos).

E quem sente falta de Ibrahimovich?

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Suecos comemoram classificação para as quartas-de-final da Copa (Divulgação FIFA)

      Antes da Copa do Mundo, a discussão na Suécia era a possibilidade de Zlatan Ibrahimovich, o maior craque sueco de todos os tempos, hoje atuando na Major Soccer League, nos Estados Unidos, voltar atrás de sua decisão de não querer mais vestir a camiseta da seleção. O próprio "Ibra" ventilou a possibilidade de ir à Copa. Só esqueceram de perguntar isso ao técnico sueco Janne Andersson. E quando o fizeram, a resposta foi curta e grossa: "Não precisamos de Ibrahimovic aqui". E ele tinha razão: com uma convincente vitória de 1x0 sobre a Suíça, os suecos estão classificados, depois de 24 anos, para uma fase de quartas-de-final de uma Copa. E estão dispostos a fazer história.
      A bem da verdade, o jogo começou travado. Enquanto a Suíça tentava lançamentos e cruzamentos para a área, os suecos tocavam bem a bola, mas na hora da conclusão era um desastre. Como aos 8 minutos, quando Berg recebeu lançamento de Folsberg e mandou na arquibancada, sozinho. Um minuto depois, algo parecido: a Suíça sai jogando mal e a bola sobra para Ekdal, que manda no suporte da câmera que fica atrás do gol.
      O jogo melhorou aos poucos. E a pontaria sueca foi se aperfeiçoando. Aos 27, Berg pega rebote na área e chuta para grande defesa de Sommer. A resposta suíça veio aos 33 minutos, quando Xhaka arriscou de fora da área, mas a bola foi parar nos microfones de captação ambiente. Aos 37, tabela entre Zuber (que na Copa só prestou para fazer um gol no Brasil) e Dzemaili, que dentro da área desperdiça. Aos 40 a resposta sueca vem com Ekidal, que após cruzamento de Svensson, sozinho na pequena área acerta a bola de canela. 
      No segundo tempo o jogo decaiu de chances, embora a movimentação melhorasse. Os suíços tentavam trocar passes no campo de ataque, enquanto a Suécia se fechava e tinha boa transição nos contra-ataques. Mas chances de gol, mesmo, não apareciam. Até que aos 21 minutos, Folsberg recebeu na entrada da área, driblou um marcador e chutou. A bola desviou em Akangi e matou Sommer: Suécia 1x0.
      Precisando reagir, a Suíça foi para o ataque. Aos 23, chute de Rodriguez para boa defesa de Olsen. Aos 34, após escanteio, Embolo ganhou da zaga sueca pelo alto e cabeceou. Folsberg salvou na pequena área a bola que ia no cantinho. E o tempo passava, sem que a Suíça conseguisse uma grande chance. Aos 45, na melhor oportunidade, Rodriguez cruza da esquerda e Seferovich cabeceia forte, mas Olsen faz uma boa defesa.
      Aos 48 minutos, a Suíça levou um contra-ataque. Em jogada rápida, a bola sobrou para Olsson, que penetrou na área e foi derrubado por Lang. O árbitro esloveno  Damir Skomina marcou pênalti e expulsou Lang. Entretanto, alertado pelo VAR, solicitou as imagens e conferiu que o sueco foi derrubado fora da área. Na cobrança, Toivonen cobrou forte, mas Sommer espalmou. E não dava tempo para mais nada. A Suécia, que eliminou a Holanda nas eliminatórias europeias, a Itália na repescagem e a Alemanha na fase de grupos, continua fazendo história. E sem Ibra. 

SUÉCIA: Olsen, Lustig (Krafht), Lindelof, Granqvist e Augustinsson; Claesson, Svensson, Ekdal e Forsberg (Olsson); Berg e Toivonen. Técnico: Janne Andersson.

SUÍÇA: Sommer, Lang, Djourou, Akanji e Rodríguez; Behrami, Xhaka, Shaqiri, Dzemaili (Seferovic) e Zuber (Embolo); Drmic. Técnico: Vladimir Petkovic.

Árbitro: Damir Skomina, tendo como assistentes: Jure Praprotnik e Robert Vukan (todos da Eslovênia).

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Bélgica não joga "Mertens" nenhuma, Japão "Kagawa" para favoritismo e herói improvável classifica europeus

Chadli sai para comemorar gol aos 49 minutos do segundo tempo que classificou a Bélgica para enfrentar o Brasil (Divulgação FIFA)

      A partida entre Bélgica e Japão contrariou todas as expectativas. Primeiro, porque os analistas acreditavam em uma disputa tranquila para os belgas, mais técnicos e com nomes mais experientes que os nipônicos. Segundo, que seria um jogo de marcação forte e com poucas chances de gol. Nem uma coisa, nem outra. O que se viu foi um jogo eletrizante, onde os japoneses abriram dois gols, os belgas mudaram o time, se organizaram e no último suspiro antes da prorrogação conseguiram o gol da vitória por um improvável herói: Chadli. Agora, o buraco é mais embaixo: os belgas enfrentam o Brasil na luta por uma vaga na semifinal, em confronto na próxima sexta-feira, dia 6. 
      O início da partida deu sinais do que seria um grande jogo. Com menos de um minuto, Kagawa recebeu na entrada da área e mandou à esquerda de Courtois. Os japoneses aplicavam marcação alta sob pressão, enquanto a Bélgica não conseguia articular bem as jogadas. O Japão atacava pelas pontas, principalmente em cima dos espaços deixados por Vertonghen e Carrasco. Aos poucos, os belgas começaram a criar mais, mas as conclusões eram bloqueadas pelos defensores nipônicos.
      E as chances começaram a aparecer. Aos 24 minutos, Mertens cruza, a zaga se atrapalha, mas Kawashima se antecipa a Lukaku e evita o gol. Aos 26, Hazard pega uma sobra e chuta forte, para defesa do goleiro japonês. Na cobrança de escanteio, Mertens cruza e Kompany desvia para trás na segunda trave, com Kawashima já batido, mas nenhum atacante belga chega para concluir.
      Aos 30, grande jogada japonesa, com Kagawa, que passa a Nagatomo. Ele cruza e Osako ganha da zaga belga, mas Courtois defende. Aos 43, Nagatomo recebe lançamento, cruza para Osako que, sozinho, não domina. Mas Courtois deixa a bola escapar por baixo do corpo e quase engole um frangaço - embora se recupere a tempo de resgatar a redonda.
      No segundo tempo o ritmo ficou alucinante. Aos 2 minutos, lançamento de Kagawa para Haraguchi. Vertonghen erra o corte e a bola sobra para o meio campista japonês, que avança e bate na saída de Cortois, fazendo 1x0. Dois minutos depois, em jogada de Mertens pela direita, a bola sobra dentro da área para Hazard, que bate forte e a bola explode na trave. Quatro minutos mais tarde, Kagawa recebe na entrada da área, faz uma firula e passa para Inui, que chuta forte, de direita, fora do alcance de Courtois. Era a zebra japonesa querendo dar o ar da graça no gramado russo.
      Precisando ir para a frente, a Bélgica ousou. O técnico Roberto Martinez sacou Carrasco (de péssima atuação, deixando buracos na defesa) e colocou Chadli. A equipe começou a pressionar. Aos 16, cruzamento de Meunier e cabeça de Lukaku para fora, com Kawashima já batido. O Japão, entretanto, seguia perigoso. Aos 19, Sakai avança pela direita e cruza para a área, mas Osako desperdiça. Aos 24, os belgas conseguiram o gol em um lance bizarro. Após sobra de escanteio, Inui divide com Meunier e a bola vai para a área japonesa. Vertonghen coloca de cabeça para a pequena área, Kawashima se coloca mal e a bola entra.
      Não demorou muito para a Bélgica, na base da pressão, empatar o jogo. Hazard (um dos melhores em campo) faz grande jogada pela esquerda aos 28 minutos e cruza. Fellaini, na pequena área, ganha da zaga japonesa e cabeceia para empatar.
      O jogo pega fogo, com o Japão reequilibrando suas forças. Aos 38, Kagawa lança Honda, que bate forte na saída de Courtois, mas a zaga belga afasta. Aos 40 é a vez de Kawashima se recuperar. Ele faz milagre em cruzamento de Meunier para cabeceio de Chadli, a queima-roupa. No mesmo lance, no rebote, Chadli cruza e Lukaku acerta o cabeceio para o goleiro nipônico espalmar.
      Os acréscimos merecem um conto à parte. Isso porque aos 45, Nagatomo cruza, Witsel tenta desviar e quase faz contra, para grande defesa de Courtois. Aos 47, Honda cobra falta de longe e o goleiro belga se estica para salvar.
      Até que vem a cobrança de escanteio para o Japão, aos 49. Courtois defende e puxa o contra-ataque, lançando para De Bruyne. O meia do Manchester City, de atuação apagada, descobre a entrada de Meunier. Ele cruza para a área. Lukaku faz o corta-luz e Chadli entra para empurrar para o gol, vencendo Kawashima e decretando a virada belga. Não dava tempo para mais nada. O árbitro apita o reinício de partida e em seguida o jogo acaba. Uma vitória na cara e na coragem para os belgas, com o Japão caindo de pé, mas voltando para casa. 

BÉLGICA: Courtois; Alderweireld, Kompany e Vertonghen; Meunier, Kevin de Bruyne, Witsel e Carrasco (Chadli); Mertens (Fellaini), Eden Hazard e Lukaku. Técnico: Roberto Martínez.

JAPÃO: Kawashima; Sakai, Yoshida, Shoji e Nagatomo; Inui, Shibasaki (Yamaguchi), Haraguchi (Honda) e Hasebe; Kagawa e Osako. Técnico: Akira Nishino.

Árbitro: Malang Diedhiou, auxiliado por Djibril Camara e El Hadji Samba (todos do Senegal).

Brasil prova que caipirinha é melhor que tequila

Firmino empurra para a rede e faz Brasil 2x0 (Divulgação FIFA)

      Com um futebol consistente, praticamente sem deixar o México ter oportunidades de gol ao longo de todo o jogo, o Brasil obteve a classificação para as quartas-de-final da Copa no início da tarde desta segunda-feira. Com uma grande atuação de William e Thiago Silva comandando a defesa, a seleção comandada por Tite aplicou 2x0. A partida, entretanto, não foi fácil. Embora tenha o controle da bola praticamente todo o segundo tempo, os mexicanos venderam caro a derrota. Agora, o Brasil espera por Bélgica ou Japão, que se enfrentam daqui a pouco.
      O Brasil teve ímpeto, enquanto o México tentou até jogar no campo adversário. Aos 2 minutos, após boa jogada de Chicharito Hernandez (talvez a única na partida), Lozano chutou e a bola esbarrou em Miranda. Foi o único lance perigoso do México no primeiro tempo. Aos quatro minutos, a zaga mexicana troca passes, mas erra na saída de bola. Neymar arrisca o chute, mas Ochoa, de grande atuação, defende. O arqueiro defenderia ainda um chute de Neymar aos 24, após driblar dois zagueiros mexicanos. Aos 26, após confusão na área, a bola sobra para Philippe Coutinho (que, desta vez, não jogou tão bem) que chuta perto do gol. Aos 32, em troca de passes entre Coutinho e Gabriel Jesus, o centroavante chuta para boa defesa de Ochoa mais uma vez. 
      O segundo tempo teve uma intensidade maior do Brasil. Com William se destacando e fazendo infiltrações ora pela direta de ataque ora pela esquerda, a seleção foi se acertando em campo. Aos 2 minutos, Coutinho arrematou para defesa do goleiro mexicano. Mas aos cinco minutos, não teve choro nem vela. Neymar fez grande jogada da entrada da área e rolou para a entrada de William, em diagonal pela direita. O meia do Chelsea chutou, Ochoa espalmou e Neymar, de carrinho, abriu o placar.
      O Brasil continuou em cima. Aos 13, grande jogada pela direita entre William e Fágner (de boa atuação). O lateral cruzou e Paulinho chutou de primeira para uma grande defesa de Ochoa. A única má notícia para o Brasil veio um minuto depois. Casemiro fez falta em Vela, levou o segundo cartão amarelo e está fora da partida pelas quartas-de-final.
      O México esboçou uma reação. Aos 15, Vela arriscou de fora da área e Alisson espalmou, fazendo a única defesa durante toda a partida. Aos 18, William, de novo, fez grande jogada e chutou de fora da área no ângulo, mas Ochoa buscou.
      O jogo seguiu no ritmo onde o Brasil atacava, mas sem objetividade, enquanto o México tentava arriscar alguma coisa, mas faltava qualidade na articulação - nem falo em finalizações porque simplesmente não ocorreram chutes a gol. Com o passar do tempo e uma atuação segura dos laterais Filipe Luís e Fágner, o Brasil teve o ingresso de Firmino para atuar junto com Gabriel Jesus. E a alteração deu resultado aos 43 minutos. Fernandinho recuperou a bola e lançou Neymar. O atacante avançou e chutou na saída de Ochoa, que rebateu. A bola sobrou limpa para Firmino empurrar para as redes e decretar a vitória brasileira. 

BRASIL: Alisson; Fagner, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís; Casemiro; Willian (Marquinhos), Paulinho (Fernandinho), Coutinho (Firmino) e Neymar; Gabriel Jesus. Técnico: Tite

MÉXICO: Ochoa; Alvarez (Jonathan dos Santos), Ayala, Salcedo e Gallardo; Rafael Marquez (Layun), Herrera e Guardado; Vela, Chicharito Hernandez (Gimenez) e Lozano. Técnico: Juan Carlos Osorio. 



Árbitro: Gianluca Rocchi, auxiliado por Elenito Di Liberatore e Mauro Tonolini (todos italianos).

domingo, 1 de julho de 2018

Ri melhor quem pega por último

Modric com Subasic: meia perdeu pênalti na prorrogação, mas converteu na decisão, enquanto goleiro pegou três cobranças (Divulgação FIFA)

      Em uma partida emocionante a Croácia garantiu classificação para as quartas-de-final da Copa ao bater a Dinamarca nos pênaltis no final da tarde deste domingo. Agora, os croatas enfrentam a Rússia no próximo sábado, dia 7, em busca de uma vaga para a semifinal. Os dinamarqueses caem de pé: invictos, fizeram um grande jogo contra a Croácia, mas pecaram nas finalizações - durante o tempo regulamentar, na prorrogação e nos pênaltis. Destaques para Subasic, que pegou três cobranças na decisão, e Schmeichel, que defendeu duas e mais uma cobrança na prorrogação.
      A emoção também foi um fator marcante. Antes do jogo, na hora do hino croata, as câmeras de TV flagraram um torcedor aos prantos. Era um indício do que seria o início da partida. Logo a um minuto, após lateral cobrado por Knudsen (uma arma dinamarquesa durante todo o tempo), a bola sobrou na pequena área para Matias Jorgensen. O zagueiro chutou mal, mas Subasic falhou e a bola acabou entrando. Dinamarca 1x0.
      Nem deu tempo para respirar. Aos 3 minutos, Rebic fez boa jogada e mandou para Vrsaljko na área. A bola foi rebatida pela zaga, mas pegou em Kjaer e sobrou limpa para Mandzukic pegar de primeira e empatar.
      O jogo consistia na Croácia insistindo no ataque pelo lado direito, com a equipe dinamarquesa fechada e saindo nos contra-ataques. Aos 28 minutos, Rakitic chutou, Schmeichel espalmou e Perisic, no rebote, mandou por cima. Aos 38, Modric cobrou falta e Lovren, sozinho, cabeceou para fora. A resposta da Dinamarca veio aos 41, com Ericssen, que bateu por cobertura e a bola acertou o travessão.
      No segundo tempo o jogo ficou em banho-maria até os 20 minutos. A Dinamarca, com a entrada de Schone, passou a controlar o meio de campo e criar algumas oportunidades - como aos 26, quando Nikolai Jorgensen concluiu para boa defesa de Subasic. Aos 42 foi a vez de Braithwaite arriscar de fora da área, após cobrança de escanteio, e a bola passar muito perto. 
     Na prorrogação a Dinamarca seguiu melhor. Aos 8 minutos do primeiro tempo, Schone driblou na entrada da área e chutou à direita, com perigo. Aos 13, a resposta croata. Perisic cruzou, a bola bateu na zaga e cairia dentro do gol, mas Schmeichel espalmou. 
      No segundo tempo, com Sisto em campo, a Dinamarca assustou. O próprio Sisto, aos 2 minutos, driblou dois adversários e chutou forte, com a bola passando perto. O grande lance veio aos 8 minutos. Modric, mal no jogo e muito bem marcado, conseguiu um espaço e fez um lançamento primoroso para Rebic, que invadiu a área, driblou Schmeichel e na hora de concluir foi derrubado por Martin Jorgensen. O árbitro Néstor Pitana marcou pênalti, para desespero dos dinamarqueses. Entretanto, Modric cobrou muito mal e Schmeichel se adiantou muito para agarrar com firmeza. O meia do Real Madrid ainda teria outra chance, aos 13 minutos, da entrada da grande área, mas o goleiro dinamarquês segurou. 
      A partida foi para a decisão por pênaltis. E os goleiros brilharam. Subasic defendeu as cobranças de Ericssen e Schone. Schmeichel salvou as cobranças de Badelj e Pivaric. Na última seqüência, entretanto, Nicolai Jorgensen bateu no meio do gol e Subasic defendeu com os pés. Na seqüência, Rakitic bateu e classificou a Croácia para as quartas-de-final, sob a supervisão de Davor Suker, goleador da Copa de 1998 (6 gols) e hoje presidente da Federação Croata de Futebol. No final, além da festa dos croatas e do choro de Lovren, a alegria do técnico Zlatko Dalic, que subiu as escadas e foi comemorar a classificação junto aos torcedores. 

CROÁCIA: Subasic; Vrsaljko, Lovren, Vida e Strinic (Pivaric); Rakitic, Brozovic (Kovacic), Rebic, Modric e Perisic (Kramaric); Mandzukic (Badelj). Técnico: Zlatko Dalic

DINAMARCA: Schmeichel; Kjaer, Christensen (Schone) e Mathias Jorgensen; Dalsgaard, Delaney (Krohn-Dehli), Eriksen e Knudsen; Braithwaite (Sisto), Cornelius (Nicolai Jorgensen) e Poulsen. Técnico: Age Hareide.


Árbitro: Néstor Pitana, tendo como assistentes: Hernán Maidana e Juan Pablo Belatti (todos da Argentina).

Bafo de vodca dos russos tonteia Espanha e donos da casa avançam

Akinfeev (em pé) pegou dois pênaltis e celebra com companheiros de time a classificação russa (Divulgação FIFA)

      Vladimir Putin deve decretar feriado nacional neste domingo. Em um jogo movimentado a partir do segundo tempo, mas com pouquíssimas chances de gol, os russos eliminaram os espanhóis nos pênaltis e se classificaram para as quartas-de-final da Copa. A passagem rendeu de tudo: emoção, faixa e, claro, comemoração. A festa russa se deve muito a Akinfeev. O goleiro, marcado por um frangaço na Copa do Brasil em 2014, entra para a história ao defender duas cobranças na série decisiva dos pênaltis e garantir as comemorações em todo o país. 
      O jogo começou com surpresas já na escalação. A Rússia deixou o artilheiro Cheryshev no banco. E a Espanha não ficou atrás, com Fernando Hierro não escalando Andrés Iniesta entre os titulares. Mesmo assim, a Espanha começou em cima. Os russos, fechados, não tinham forças para atacar. E logo aos 11 minutos a pressão espanhola deu resultado: Asensio cobrou falta, Sérgio Ramos disputou com Ignashevich e o zagueiro russo marcou contra.
     A Rússia saiu para o jogo, mas completamente atabalhoada, enquanto a Espanha tocava a bola sem pressa. O jogo ficou morno, modorrento. Mesmo assim, a seleção russa começou a apertar. Aos 35, Golovin chutou com perigo. Até que aos 39 minutos, após cobrança de escanteio, Piqué, com os braços abertos, afastou a bola. O juiz marcou pênalti, batido e convertido por Dzyuba. Foi o terceiro gol do centroavante na Copa. A vontade dele impressiona - até lateral ele cobrou na busca pelo empate. 
      Depois disso, a melhor chance espanhola foi aos 45 minutos, quando Diego Costa recebeu na área e chutou forte, mas Akinfeev espalmou. 
      O segundo tempo teve maior disposição das duas equipes, praticamente não houve chances de gol. Dzyuba saiu para a entrada de Smolov e Iniesta, finalmente, foi a campo. Foi dele a principal chance espanhola aos 38 minutos, quando o meia do Vissel Kobe recebeu a bola e bateu forte para grande defesa de Akinfeev. Afora isso, a Espanha tocou muito a bola enquanto a Rússia não tinha qualidade no contra-ataque, embora muitas vezes tivesse condições para isso. 
      O jogo caiu de qualidade. Isco e Asensio esbarraram um no outro na entrada da área russa em lance de ataque. Por outro lado, Ignashevich deu uma rosca, sozinho, e a bola saiu para escanteio. E a partida foi para a prorrogação.
      No tempo extra, só deu Espanha. No primeiro tempo, aos 15 minutos, Aspas cobrou falta, Piqué cabeceou, mas o goleiro russo defendeu. Aos 3 minutos do segundo tempo o brasileiro naturalizado espanhol Rodrigo fez uma excelente jogada pela direita, avançou e já dentro da área chutou forte, para mais uma grande defesa de Akinfeev. Aos 9 minutos, em cobrança de falta para a área, os espanhóis reclamam de pênalti cometido por Kutepov em Sérgio Ramos. O VAR é acionado, mas o árbitro manda o jogo seguir. Ainda houve tempo para um último lance, aos 15 minutos, quando Rodrigo bateu de fora da área para nova defesa de Akinfeev.
      A partida foi para os pênaltis. E, na loteria, deu Rússia. Akinfeev pegou as cobranças de Koke e Iago Aspas, enquanto os russos, mesmo tendo cobrado mal três pênaltis, converteram todas. Festa no estádio, para choro do artilheiro Cheryshev e para o torcedor. Os jogadores russos ainda estenderam uma faixa, com as cores da bandeira, dizendo, na tradução "Jogamos por Vocês".
       Agora é esperar o adversário, que sai do confronto entre Croácia e Dinamarca. E podem ter certeza: vai faltar vodca para celebrar a classificação na noite russa deste dia 1º de julho. Alem disso, é a quarta vez que a Espanha é eliminada em uma fase de mata-mata pelos anfitriões da Copa.

ESPANHA: David de Gea, Nacho Fernández (Carvajal), Gerard Piqué, Sergio Ramos e Jordi Alba; Sergio Busquets, Koke Alcântara, Marco Asensio (Rodrigo), David Silva(Iniesta) e Isco; Diego Costa (Thiago Aspas). Técnico: Fernando Hierro.

RÚSSIA: Akinfeev; Ignashevich, Kutepov e Kudriashov; Mario Fernandes, Samedov (Cheryshev), Zobnin, Kuziaev (Erokhin), Golovin e Zhirkov (Granat); Dzyuba (Smolov). Técnico: Stanislav Cherchesov.

Árbitro: Bjorn Kuipers, tendo como assistentes Sander Van Roekel e Clement Turpin (todos da Holanda).