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| Divulgação CPB |
Não teve lamentação. A primeira medalha entregue a um brasileiro na paralimpíada Rio 2016 já está no peito de Odair dos Santos. Vice-campeão olímpico na prova dos 5.000 metros rasos na categoria T11 (para cegos), o brasileiro tentou herdar o ouro. Isso porque o queniano Samwel Kimani, vencedor da prova, teria utilizado de forma incorreta a venda obrigatória nos olhos dos corredores.
Apesar de protestos realizados pela equipe brasileira - e também da Turquia, já que o competidor desse país ficou em quarto lugar, sem medalha - o recurso não foi aceito pelo Comitê Paralímpico Internacional. A cerimônia de entrega das medalhas ocorreu agora há pouco em um clima que nada lembrou recursos. Como já é tradicional nas cerimônias, os três primeiros colocados fizeram a foto oficial no alto do pódio. Com Odair muito sorridente, diga-se de passagem.
Ah, um detalhe: a medalha de ouro conquistada por Ricardo Costa de Oliveira só deve ser entregue amanhã.
Depois do nadador Roberto Alcalde Rodriguez, a torcida da população bageense na Paralimpíada deve ficar com a Seleção Brasileira de futebol de 7 (paralisado cerebral), que realizou parte de seu treinamento para o evento na Rainha da Fronteira. A equipe estreou com vitória nesta quinta-feira, na Rio 2016, ao vencer a Grã-Bretanha por 2 a 1 em partida disputada no Estádio de Deodoro.
Embora nervosos com a primeira partida, o time tupiniquim jogou bem e abriu o placar aos 10 minutos com Leandrinho. Ainda na primeira etapa, Maycon fez 2x0. No segundo tempo, jogando melhor, a Grã-Bretanha descontou com Porcher.
O próximo compromisso do Brasil será no dia 10, às 19h contra a Irlanda.
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| Reprodução SPORTV |
Logo na manhã do primeiro dia de competições na Paralimpíada Rio 2016 o Brasil já começou bem. Ricardo Costa de Oliveira ganhou o primeiro ouro para o país na prova de salto em distância T11 (para cegos). Até o penúltimo salto o brasileiro havia conquistado a prata. Na última tentativa, o verdadeiro voo de 6,52 metros o levou ao alto do pódio. Oliveira vibrou muito junto com o técnico, que o acompanha e o orienta no percurso até o momento do salto. A prata ficou o Lex Gillete (EUA), que saltou 6,44m. Ele é o atual campeão mundial da prova.
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| crédito: CPB |
Na mesma categoria, a T11, o Brasil ganhou a prata no 5.000 metros rasos com Odair dos Santos. Ele liderou boa parte da prova e estava na frente até a última curva dos 200 metros, mas foi superado pelo queniano (sempre o Quênia...) Samwel Kimani.
A partir das 17h30min os atletas brasileiros participam de finais. Confiram:
- 17h33 – Arremesso de peso feminino F57 (final) – Roseane Santos
- 17h47 – Arremesso de peso masculino F41 (final) – Jonathan Souza
- 18h09 – Lançamento de disco masculino F37 (final) – João Victor
- 18h11 – Salto em distância feminino T47 (final) – Sheila Finder
- 17h30 e 17h37 – classificatórias da prova de 100m rasos feminino T36 – Tascitha Cruz
- 17h45 e 17h52 - classificatórias da prova de 100m rasos masculino T44 – Alan Fonteles e Renato Cruz
- 18h13 e 18h21 - classificatórias da prova de 400m rasos masculino T20 – Daniel Tavares
- 19h19 e 19h27 - classificatórias da prova de 100m rasos masculino T13 – Gustavo Henrique e Kesley Josué
- 20h05 e 20h12 - classificatórias da prova de 100m rasos feminino T38 – Verônica Hipólito e Jenifer Martins
A cerimônia de abertura da Paralimpíada Rio 2016 foi marcada pela variedade de sentimentos. Teve a voz de Gonzaguinha, passando pelo remelexo de Seu Jorge até a beleza de um tango ritmado entre uma atleta bailarina e um robô. Além da apresentação de grupos de pessoas com deficiência, vídeos institucionais e muitos pedidos de inclusão. Alguns pontos, entretanto, merecem destaque em uma cerimônia marcada por beleza, variedade, simplicidade e reflexão.

Tudo transcorria relativamente bem no discurso do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman. Entretanto, no momento em que ele agradeceu aos governos pela realização dos Jogos, o Maracanã veio abaixo... em apupos. A vaia foi simplesmente ensurdecedora. O presidente Michel Temer, presente à cerimônia junto com a primeira dama Marcela Temer, recebeu vaias fortes também. O descontentamento deixou Nuzman perplexo. As vaias tomaram conta por cerca de dois minutos até que o presidente do COB retomasse a manifestação. Mas a explosão de vaias entra para a história paralímpica.

No momento de acendimento da pira olímpica, ocorreu o contrário. Como eram atletas paralímpicos, o público aplaudiu com força. O ponto alto foi quando a ex-atleta paralímpica Márcia Malsar, que conduzia a tocha, se desequilibrou e caiu. Voluntários correram para auxiliar Márcia, que não precisou. Ela se levantou sozinha e foi ovacionada pelo público. A ex-atleta seguiu sua trajetória até entregar a chama para a supercampeã Ádria dos Santos, vencedora no Atletismo paralímpico em Sydnei e Atenas nos 100 metros rasos.
Não foi o único momento surpreendente da noite. O nadador Clodoaldo Silva foi o responsável por acender a pira olímpica. Só que houve um momento de expectativa. Conduzindo a tocha paralímpica em uma cadeira de rodas, Silva ficou parado diante de uma escada que o levaria à pira. Eis que uma rampa surgiu para delírio do público para que Clodoaldo pudesse ir até o topo e realizasse o acendimento da pira.
Tudo dentro de uma reflexão importante sobre as dificuldades impostas pelas limitações do dia a dia vividas por todos os cidadãos que precisam de acessibilidade. Agora é aguardar as competições. E conferir desafios e superações em histórias a serem construídas até o dia 18. Até lá, os mais de quatro mil atletas não vão apenas competir. Vão apresentar ao mundo como eles podem construir um novo mundo por meio da superação de seus próprios limites.
A torcida pelo bageense Roberto Alcalde Rodriguez será grande no dia 11 de setembro,domingo, quando o nadador inicia sua trajetória nos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Entretanto, outro nadados nascido na Rainha da Fronteira deixou seu nome na história da Paralimpíada. Trata-se de Luís Antônio Corrêa da Silva.
Se Rodriguez participa de sua primeira paralimpíada, Silva participou dos jogos de Sydney (2000), Atenas (2004) e Pequim (2008). Na terra do Olimpo obteve a consagração ao participar da equipe brasileira campeã olímpica no revezamento 4x50 metros medley. Em Sidney havia batido na trave, conquistado três pratas (nos 50 metros borboleta, classe S6, e nos revezamentos 4x50 metros livre e medley).
Em Pequim o bageense despediu-se dos jogos com mais uma medalha de prata, desta vez no revezamento 4x50 metros medley.
Silva nasceu com má-formação dos membros inferiores e do braço direito e começou a praticar a natação em 1995. Ele mora em Recife, capital de Pernambuco, desde 1994. Entretanto, quando tem uma folga nas atividades vem a Bagé.
Tive o prazer de entrevistá-lo quando esteve em Bagé, em 2009, na Rádio Difusora. Falando sempre com carinho da APAE, onde frequentou, e ficou impressionado à época por muita gente ter acompanhado os jogos de Pequim pela televisão - e visto sua medalha de prata.
Agora é ficar na torcida para que Roberto Alcalde Rodriguez possa lutar nas piscinas por mais uma conquista para o Brasil. E por mais uma medalha vindo para a Rainha da Fronteira.
O primeiro dia de competições na paralimíada é neste dia 8 de setembro. Para quem quiser acompanhar, algumas informações básicas.
As primeiras provas do atletismo no Estádio Olímpico, com final masculina dos 5.000 metros e eliminatórias femininas dos 100 metros rasos na classe T11 (cegos) vão ser disputadas no Estádio Olímpico (hoje Estádio Nilton Santos) a partir das 10h
Nesta quinta-feira também vão aparecer as primeiras medalhas da natação. Duas provas esperadas são os 200 metros livre da classe S5, de Daniel Dias, e os 100 metros costa da S6, de Talisson Glock - às 17h30
O halterofilismo também começa no Pavilhão 2 do Riocentro, com as categorias até 49kg masculina e até 41kg feminina - a partir das 13h
As primeiras partidas do futebol de 7, no Estádio de Deodoro - às 10h, 14h e 19h.
E a expectativa vai para o representante de Bagé na Paralimpíada. Roberto Alcalde Rodriguez compete no dia 11 no Parque Aquático Olímpico.
Mais uma competição em nível internacional para agitar o Brasil. Depois da Rio 2016 ter despertado o sentimento nacionalista do torcedor brasileiro, agora há um ingrediente a mais na Paralimpíada Rio 2016, que inicia hoje. Não é apenas a perspectiva de ver atletas superarem seus próprios limites. É a prova concreta de que há sim muito menos limites para pessoas com deficiência que nossa vã filosofia sentimental e racional pode ser capaz de perceber.
Muito se ouve governantes falarem em inclusão. Ok. As políticas públicas no setor, embora engatinhando, avançam com o passar dos anos. Entretanto, nosso país tem um potencial paraolímpico fantástico. Não é sonho estimar a presença tupiniquim entre os cinco primeiros no quadro final de medalhas da competição. Alguém pode dizer que o Brasil está tão acostumado a suportar dificuldades que só poderia resultar em uma superpotência paraolímpica.
Mas eu questiono: você já visitou alguma entidade assistencial que auxilia pessoas com deficiência. Não disse "colaborar", não disse "realizar doação". Eu disse conhecer as necessidades, ver como é para pagar funcionários e profissionais que atuam por lá. Você sabe? Muitas campanha são feitas. E você acha que os campeões paralímpicos começaram onde a ter suas habilidades despertas e desenvolvidas?
Esse é o ideal da paralimpíada. Diferente do ideal olímpico tradicional do "Importante é Competir. O mundo paralímpico é uma realidade diária, sem direito a ciclos. Quando os atletas hoje na mídia pendurarem as chuteiras (ou deixarem as pistas, piscinas, tatames, etc) serão cidadãos com a mesma deficiência que apresentam hoje. E vão precisar de duas coisas: acessibilidade e convivência em sociedade.
Estamos preparados para isso?